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Eletropaulo: crise não altera política de dividendos


14 de Novembro de 2008 | 17:31

 

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O diretor-presidente do grupo AES no Brasil, Britaldo Soares, afirmou que a crise internacional não afetará a política de pagamento de dividendos da AES Eletropaulo. "A política de dividendos permanece, dentro da visibilidade do nosso fluxo de caixa e da liquidez da companhia", afirmou o executivo, em teleconferência para analistas sobre os resultados da distribuidora no terceiro trimestre de 2008. Ao final de agosto, a companhia distribuiu R$ 359,5 milhões para os seus acionistas, ou 103,5% do lucro líquido do primeiro semestre de 2008. O executivo lembrou que, no curto prazo, a companhia tem poucos compromissos de amortização de dívida, o que permite manter um elevado nível de distribuição de dividendos para os acionistas. As dívidas que vencem no quarto trimestre de 2008 e ao longo de 2009 estão em torno de R$ 300 milhões - para efeito de comparação, os recursos em caixa ao final do terceiro trimestre de 2008 somavam R$ 1,373 bilhão. Soares afirmou que a estratégia de pagamento de dividendos só será alterada caso ocorra alguma ocorrência extraordinária à companhia, como um evento negativo na ação movida pela Eletrobrás contra a distribuidora e a Companhia de Transmissão Energia Elétrica Paulista (Cteep) sobre uma dívida de R$ 1,4 bilhão, que vem se arrastando desde a década de 1980. "Existem questões extraordinárias que podem afetar o nosso desempenho. Não reconhecemos a perda com isso, mas como se trata de uma ação legal, pode ser que em algum momento tenhamos de apresentar garantias ao processo", ponderou o diretor-presidente. Nesse caso, o executivo lembrou que a companhia já aprovou a contratação de uma fiança bancária no valor de R$ 850 milhões com vistas ao cumprimento da apresentação de garantias para a continuidade do processo. "Com isso, minimizamos os impactos sobre o fluxo de caixa, preservando o nível do pagamento de dividendos", justificou. Consumo A crise financeira global não afetou, por enquanto, a demanda por energia dos clientes da AES Eletropaulo, que atende 24 municípios da região metropolitana de São Paulo. Prova disso foi o crescimento de 7% apurado em outubro pela companhia em sua área de concessão. "É preciso levar em conta que essa expansão tem o efeito do carregamento da expansão da economia nos trimestres anteriores e também da mobilização da indústria para o Natal", afirmou o diretor-presidente da companhia. Apesar da expansão, os executivos da companhia não estão certos se este comportamento se repetirá nos próximos meses. Soares lembrou que a crise está migrando do setor financeiro para a economia real, afetando alguns segmentos da atividade econômica. "Em outubro, verificamos um sentimento de cautela com a economia e preocupação com a liquidez, mas foi apenas nessas duas últimas semanas que se iniciaram os anúncios de férias e redução da produção", explicou. O executivo preferiu não comentar sobre a situação do consumo de energia em novembro na área de concessão da companhia. Investimentos Esse cenário de incerteza, inclusive, já levou a companhia a rever suas projeções do crescimento do mercado e investimentos para o ano de 2009, revelou o diretor vice-presidente e Relações com Investidores da AES Eletropaulo, Alexandre Innecco. "Estamos passando um pente fino nas projeções de investimentos para 2009, porque a demanda, um dos fatores determinantes para o cálculo, está bastante incerta. Os dados do quarto trimestre de 2008 serão importantes para identificarmos qual será o comportamento", justificou o executivo. A expectativa é que os investimentos em 2009 fiquem entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. Para 2008, a empresa reviu suas projeções de investimentos. Até o final do ano, a meta da distribuidora é aportar R$ 478,9 milhões, contra os R$ 516,4 milhões projetados anteriormente. "A queda se refere, principalmente, à redução em R$ 26 milhões dos investimentos financiados pelos clientes", explicou Innecco. A expectativa da empresa é que os consumidores invistam R$ 67 milhões. Adicionalmente, a companhia deverá investir com recursos próprios algo em torno de R$ 412 milhões, valor que é R$ 11 milhões inferior ao previsto inicialmente para acompanhar os ajustes dos investimentos projetados pelos clientes. Esses investimentos da companhia estão relacionados à expansão da malha elétrica, recuperação de perdas de energia elétrica, manutenção da rede, tecnologia da informação e serviço de atendimento aos clientes. Além da AES Eletropaulo, a crise também irá afetar os investimentos da distribuidora gaúcha AES Sul em 2009. Para este ano, a meta de R$ 180 milhões está mantida. "Em 2009, os investimentos devem ficar em torno de R$ 160 milhões a R$ 180 milhões, para se ajustar ao comportamento da demanda", justificou Soares.

 
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