O ambiente externo continua piorando, sem qualquer espaço para uma recuperação mais consistente do mercado de ações global. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue enfraquecida. O índice Bovespa à vista confirmou a projeção do índice futuro e abriu o pregão em baixa; às 11h09, registrava perda de 3,17% a 34.653 pontos.
A confirmação de que o Japão, a segunda maior economia do mundo entrou em recessão, engrossa a lista de más notícias, assim como a falta de definição sobre medidas efetivas para combater a crise na reunião de cúpula o G-20 durante o final de semana. E essa lista não pára de crescer. Nesta manhã, a rede de notícias CNBC informou que o Citigroup anunciará o corte de até 50 mil empregos nos EUA.
Nos Estados Unidos, os índices futuros de ações registram perdas mais moderadas. O S&P 500 recuava 0,84% e o Nasdaq futuro cedia 0,80%. Já na Europa, as bolsas exibem baixas ao redor de 2%. Na Ásia, o anúncio de que a economia japonesa está em recessão - o PIB recuou 0,1% no terceiro trimestre ante o trimestre anterior - teve pouca repercussão nos mercados da região porque já era uma bola cantada. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio subiu 0,71% hoje.
No cenário doméstico, a queda forte do Ibovespa futuro é creditada também à queda de preço das matérias-primas (commodities) e ao vencimento hoje de opções sobre ações na Bovespa, o que tende a contribuir para maior volatilidade. A expectativa, no entanto, é de um vencimento fraco, com volume negociado inferior ao do último exercício, do dia 20 de outubro, de R$ 993,905 milhões. Os preços dos papéis seguem muito depreciados. Na semana passada, o Ibovespa teve uma desvalorização de 2,38%.
Analistas citam também como fator a mais de pressão hoje os balanços ruins divulgados na sexta-feira à noite e hoje pela manhã. A decepção maior nas mesas é com o resultado da siderúrgica CSN, que na sexta-feira informou lucro líquido de R$ 40 milhões no terceiro trimestre, bem inferior à estimativa. A siderúrgica informou que as perdas contábeis com operações de swap de ADRs )recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York) somaram R$ 1,3 bilhão no período.
Hoje cedo, a Gol anunciou prejuízo líquido consolidado de R$ 294,3 milhões no terceiro trimestre pelo padrão de contabilidade norte-americano (US Gaap), contra lucro de R$ 45,5 milhões em igual período do ano passado. O desempenho reflete, principalmente, o impacto da variação cambial negativa de R$ 261,8 milhões sem efeito caixa e o resultado negativo de hedge de R$ 48 milhões.
No setor de construção, Abyara reportou lucro líquido de R$ 132,646 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 6.012% maior que o obtido no mesmo período do ano passado. Mas a empresa informou também que os lançamentos estão suspensos até que o mercado financeiro se restabeleça e que a meta prevista para este ano ficou pela metade.
Agora, o mercado espera a divulgação nos EUA do dado de produção industrial de outubro e do índice de atividade industrial do Fed de Nova York.
