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Polêmica na Espanha por acrônimo "ofensivo" no Financial Times


05 de Setembro de 2008 | 16:54

 

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MADRI (Reuters) - Grupos de empresários e meios de comunicação espanhóis criticaram nesta sexta-feira como "ofensivo e degradante" o uso pelo Financial Times do acrônimo "Pigs" --que em inglês significa "porcos"-- para se referir às economias de Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

Os economistas frequentemente usam o termo "Pigs" para agrupar esses quatro países e também em contraste com a sigla "Bric", utilizada para descrever o grupo das quatro nações de crescimento rápido, formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

O jornal publicou na segunda-feira que o termo "Pigs" era "um apelido pejorativo, mas com muita verdade".

Com o título "Pigs in Muck" ("Porcos na Lama"), a coluna LEX, bastante lida no jornal, dizia que o boom de crédito alimentado após a adoção do euro se transformou em um déficit volumoso em conta corrente em quatro dos membros fundadores da zona do euro.

"Há oito anos, os 'Pigs' realmente voavam", sustentou a coluna LEX. "Agora os 'Pigs' estão caindo no chão de novo", acrescentou.

O jornal espanhol El Mundo criticou a coluna por seu "tom depreciativo" e disse que a Espanha tem evitado os efeitos nocivos da crise mundial de crédito melhor que a Grã-Bretanha, onde é publicado o FT.

"Neste país --ao contrário do Reino Unido que sofreu o colapso de Norther Rock-- nenhum banco foi visto atingido pela crise do subprime", afirmou o jornal.

O banco britânico Norther Rock foi nacionalizado em fevereiro para evitar sua quebra em meio à crise de crédito.

José Manuel Velasco, líder da associação de Diretores de Comunicação (Dircom), disse que o jogo de palavras do FT é humilhante e levou o jornal a "uma análise desrespeitosa dos atores econômicos deste país".

"Atentam contra a dignidade de cidadãos, políticos e empresas", disse Velasco, cujo grupo representa 500 diretores de comunicação.

A Espanha tem superado seus rivais na zona do euro durante uma década, mas a previsão é de que seu crescimento se reduza a menos da metade em 2008, até cerca de 1,8 por cento, frente à queda do setor de construção, ao aumento do preço do petróleo e às turbulências financeiras globais.

 
 

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