
A brasileira CPM Braxis venceu a concorrência da GE, mas não levou. Primeiro por causa do real valorizado. Agora por causa da desvalorização. Desde que a GE anunciou que teria a brasileira CPM Braxis entre seus potenciais fornecedores mundiais de serviços de tecnologia da informação, no início do ano, a empresa tem vivido uma verdadeira batalha para levar um dos milionários contratos. Conversei ontem com o João Lencioni, CIO da GE na América Latina, e ele me disse que a CPM Braxis participou de algumas concorrências internacionais, mas seu principal desafio não tem sido vencer um concorrente tecnicamente superior. 'Ser competitivo em termos de custos tem sido a maior dificuldade da brasileira', disse Lencioni. Segundo ele, com o real valorizado em boa parte desse ano, a CPM não chegou à equação que atraísse os olhos da gigante GE para trazer alguns de seus projetos para cá.
Com a crise mundial, a situação mudou. Em parte. Os serviços brasileiros ficaram um pouco mais baratos do que estavam e isso deu um ponto positivo à CPM. A questão, segundo Lencioni, é que assim como o real se desvalorizou por aqui, o peso também perdeu valor. Assim, o México, outro centro potencial de alternativa à Índia e com vantagens semelhantes às do Brasil em outsourcing, ganhou fôlego. Em resumo, a CPM é uma ilha cercada de poderosos concorrentes de todos os lados. Primeiro foram os da Ásia e outros locais com preços mais competitivos do que os daqui. Agora, os mexicanos - que já tinham contratos anteriores com a GE. Vale saber como a empresa vai se ajustar para essa nova - e lucrativa - frente de batalha. Afinal, está em jogo uma boa fatia dos 100 milhões de dólares que a GE pretende investir em projetos de TI ao longo dos próximos anos.
Eu sou fã de Fórmula 1 há muito tempo. Ir ao autódromo e ver e ouvir os carros de perto, então, acho uma experiência incrível. Mas nem todos pensam como eu. Preferem o conforto do lar e uma tela de TV com boa imagem para não perder nenhum momento do que acontece na pista. De fato, além de cômodo e muito mais barato, a percepção da corrida quando se tem várias câmeras posicionadas ao longo do circuito é bastante agradável e muito mais completa do que aquela situação de quem está na arquibancada vendo só partes da pista - e contando com o radinho de pilhas para saber o que acontece do outro lado da reta oposta.
A equipe AT&T Williams resolveu dar uma mãozinha para seus convidados que estão justamente nesse dilema. O time fechou uma parceria com a canadense Kangaroo TV para fornecer, aos seus convidados, 500 aparelhos como o da foto para a transmissão ao vivo da corrida e também vídeo on demand. Funciona assim: o convidado chega ao camarote da AT&T Williams e recebe o aparelho sem fio - ele tem o tamanho e o peso semelhante àquelas máquinas processadoras de cartão de crédito, com uma tela de 3,5 polegadas. No aparelho, o usuário consegue navegar pelos botões localizados abaixo da tela e escolher para visualizar a transmissão ao vivo da corrida - gerada pela emissora oficial do GP -, estatísticas ao vivo, informações da pista e dos pilotos, além de eleger qual é o piloto favorito e acompanhar em tempo real todos os dados sobre ele. O áudio pode ser acompanhado por fones de ouvido.
Um dos grandes atrativos do aparelho é o conteúdo sob demanda que o time da AT&T Williams colocou. Para o GP do Brasil, são 13 vídeos, com duração média de 2 minutos, que o usuário poderá assistir e saber mais sobre outros circuitos, pilotos, resumo de corridas, além de detalhes sobre a equipe com imagens das áreas de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, também existe podcasts em português e em inglês para quem quiser saber mais sobre a equipe. A AT&T Williams fez um teste preliminar do aparelho com seus convidados no GP da China, mas a estréia oficial da política é o Brasil - pode parecer paradoxal esperar o fim da temporada para lançá-lo, mas a explicação oficial é que, entre o fim dessa temporada, em Interlagos neste domingo e o primeiro GP do ano que vem, em março, os executivos da equipe poderão estudar como utilizar e quais alterações farão no aparelho para a próxima temporada.
Os equipamentos e a transmissão dos vídeos são responsabilidade da Kangaroo TV - que já tem um modelo de negócios de alugar o aparelho para os expectadores de esportes como automobilismo, basquete e golf por uma taxa por período (no Brasil, o expectador que não for convidado da Williams e quiser alugar paga 230 reais por fim de semana). A empresa tem 5 antenas UHF posicionadas na pista e mais 6 colocadas em cada carro, das quais as imagens serão enviadas para os aparelhos. No caso da parceria com a Williams, o conteúdo e a personalização para os vídeos sob demanda ficaram a cargo da AT&T - e, segundo porta-vozes da empresa -, é a primeira experiência de personalização do vídeo sob demanda do gênero na Fórmula 1.
Algo interessante é que nem mesmo os mais empolgados que tentarem levá-lo para casa vão conseguir. Ao sair do autódromo, o sinal da Kangaroo TV desaparece e o aparelho torna-se inútil. A iniciativa é mais um exemplo de que o usuário está ganhando cada vez mais poder sobre o que o conteúdo que quer consumir em determinado momento. Além disso, em resumo, o aparelho é uma central de informação para quem não quer apenas contar com os olhos para saber o que se passa na pista.
Tecnologia nos boxes
O tour pelos boxes da Williams mostra que a F1 definitivamente é um dos principais usuários de tecnologia entre os esportes - se não o maior deles. Do controle de abastecimento à telemetria que disseca as informações do carro ao máximo, tudo a tecnologia está em tudo. Matt Jones, líder de marketing que acompanhou os jornalistas à visita hoje à tarde, contou algumas outras curiosidades sobre a equipe e a tecnologia empregada. Algumas delas:
* são 520 pessoas envolvidas no funcionamento da equipe AT&T Williams. Desse total, cerca de 70 estão em todos os GPs
* cada carro tem cerca de 100 sensores - 50 deles no motor - que transmitem informações às estações de trabalho dos boxes, monitoradas por quatro engenheiros da equipe e mais quatro da Toyota, que fornece o motor à equipe
* Cada carro gera cerca de 17 GB de dados por fim de semana. Todo o caminho que as informações percorrem - do carro para a telemetria e da telemetria para a equipe de pesquisa e engenharia no Reino Unido - é criptografado para evitar vazamento de dados
* 23 pessoas trabalham em cada parada nos boxes dos pilotos - leia-se, para abastecimento ou troca de pneus
* A mangueira de combustível injeta 12 litros por segundo de combustível no carro. Nos postos de gasolina comuns, esse volume é de 0,75 litro por segundo.
* Depois de um GP, a equipe leva apenas 6 horas para desmontar todos os equipamentos dos boxes
Essas foram só algumas da extensa lista de curiosidades. Para quem gosta de tecnologia e automobilismo, falar de F1 realmente rende bastante.



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