De olho na bilionária GE

A brasileira CPM Braxis venceu a concorrência da GE, mas não levou. Primeiro por causa do real valorizado. Agora por causa da desvalorização. Desde que a GE anunciou que teria a brasileira CPM Braxis entre seus potenciais fornecedores mundiais de serviços de tecnologia da informação, no início do ano, a empresa tem vivido uma verdadeira batalha para levar um dos milionários contratos. Conversei ontem com o João Lencioni, CIO da GE na América Latina, e ele me disse que a CPM Braxis participou de algumas concorrências internacionais, mas seu principal desafio não tem sido vencer um concorrente tecnicamente superior. 'Ser competitivo em termos de custos tem sido a maior dificuldade da brasileira', disse Lencioni. Segundo ele, com o real valorizado em boa parte desse ano, a CPM não chegou à equação que atraísse os olhos da gigante GE para trazer alguns de seus projetos para cá.

Com a crise mundial, a situação mudou. Em parte. Os serviços brasileiros ficaram um pouco mais baratos do que estavam e isso deu um ponto positivo à CPM. A questão, segundo Lencioni, é que assim como o real se desvalorizou por aqui, o peso também perdeu valor. Assim, o México, outro centro potencial de alternativa à Índia e com vantagens semelhantes às do Brasil em outsourcing, ganhou fôlego. Em resumo, a CPM é uma ilha cercada de poderosos concorrentes de todos os lados. Primeiro foram os da Ásia e outros locais com preços mais competitivos do que os daqui. Agora, os mexicanos - que já tinham contratos anteriores com a GE. Vale saber como a empresa vai se ajustar para essa nova - e lucrativa - frente de batalha. Afinal, está em jogo uma boa fatia dos 100 milhões de dólares que a GE pretende investir em projetos de TI ao longo dos próximos anos.

Por Camila Fusco
Publicado em 07/11/2008 - 12:50
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Corrida pelo mobile marketing
A Hands, empresa de publicidade móvel, está disposta a dar um empurrão no setor de mobile marketing. A companhia iniciou um modelo que pretende captar anunciantes para portais de celulares que vêm pré-configurados em smartphones vendidos pela Claro e Vivo. O portal dessas operadoras está dividido em canais, como tecnologia, esportes, estilo, diversão, entre outros, e em cada um deles, parceiros de conteúdo colocam os links de seus sites móveis. A empresa que aceitar patrocinar um dos dez canais disponíveis vai ser a única a ter seu nome veiculado no canal específico e dos parceiros de conteúdo. O Itaú foi uma das empresas a fechar contrato com a Hands para patrocinar os canais de Negócios e Notícias e até o acordo do banco com Hands acabar, nenhuma outra instituição financeira conseguirá aparecer por lá. Segundo a IDC, o mercado de mobile marketing no Brasil foi de 129 milhões de dólares em 2007 e a previsão era chegar a 150 milhões neste ano. Será que a oferta de exclusividade, como a da Hands, será suficiente para dar um empurrão nesse mercado?
Por Camila Fusco
Publicado em 07/11/2008 - 12:46
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A casa caiu pro Yahoo!
Não que ela estivesse erguida sobre bases sólidas, é verdade, mas agora vai ficar ainda mais difícil a sobrevivência de um dos ícones da web. Em seu blog oficial, o Google acaba de anunciar que vai pular fora do acordo que havia feito com o concorrente para a exibição de publicidade.

Depois do fim das negociações de venda para a Microsoft, o Yahoo! anunciou um acordo para que o Google fosse o responsável pela entrega de parte dos links patrocinados exibidos em seus sites. O acordo fazia sentido pois o Google consegue oferecer mais relevância, mais cliques e, portanto, mais dinheiro.

Só que muita gente chiou, afinal de contas o Google aumentaria ainda mais sua dominância no segmento da publicidade online que mais cresce. As autoridades americanas exigiram montanhas de documentos para analisar o impacto na concorrência. O acordo ficou paralisado. Agora, quatro meses depois de anunciado, ele morre na praia.O Google acha que uma longa e desgastante briga judicial é ruim para sua imagem e para os seus negócios.

Ruim para quem? Para o Yahoo! e seu fundador e presidente, Jerry Yang. Lá atrás, em fevereiro, a Microsoft chegou a oferecer 31 dólares por ação para arrematar a empresa. Yang enrolou, enrolou, mas desde o princípio foi resistente à idéia. No instante que escrevo este post, os papéis do Yahoo! valem 13,30 dólares. Se por algum milagre a Microsoft voltar a demonstrar interesse pela empresa, vai oferecer uma mixaria. Um final melancólico se desenha para uma empresa que não faz tanto tempo assim significou tudo o que havia de mais moderno e bacana na internet -- e hoje está num mato sem cachorro.
Por Sérgio Teixeira Jr.
Publicado em 05/11/2008 - 13:30
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O outro voto de ontem
A votação que o planeta acompanhou foi a da presidência dos Estados Unidos, é claro, mas ontem houve uma outra decisão muito importante, pelo menos no mundo da tecnologia. A FCC, o órgão que regula as telecomunicações nos Estados Unidos, decidiu por unanimidade liberar uma faixa do espectro eletromagnético para comunicações de internet.

Isso é muito importante e potencialmente revolucionário para a nascente internet sem fio. Terá implicações para as empresas de telefonia celular, para as emissoras de TV e, é claro, para os consumidores. Vale apenas nos Estados Unidos, mas não custa lembrar que as novidades tecnológicas de lá acabam se espalhando pelo resto do mundo.

Em fevereiro do ano que vem, está previsto o fim das transmissões da TV analógicas no país. Ou os americanos compram um conversor para pegar o sinal da TV digital, ou então vão ficar sem imagem (isso se não tiverem TV por assinatura, é claro). Por uma característica da tecnologia, sempre foi necessário deixar um espaço entre os canais de cada emissora para evitar interferências. É por isso que os números saltam de 5 para 7, de 9 para 11 e assim por diante. Com a tecnologia digital, essa margem de segurança deixa de ser necessária.

Na decisão de ontem, a agência decidiu liberar para o uso esse espaço vazio. Mais: qualquer um poderá usá-lo. Assim como as freqüências Wi-Fi, esse espectro poderá ser usado livremente para conexões de banda larga sem fio. A iniciativa contou com um pesadíssimo lobby das empresas de tecnologia -- e a oposição ferrenha das emissoras de TV, que dizem que o risco de interferências não está completamente afastado. 

Mas, acima de tudo, foi a vitória de um modelo de uso aberto das ondas do ar, um valiosíssimo patrimônio de cada país que em geral é entregue em regime de concessão e sujeito a duríssimas regras de uso. Como provou a experiência bem-sucedida do Wi-Fi, um pouco de liberdade não faz mal a ninguém.
Por Sérgio Teixeira Jr.
Publicado em 05/11/2008 - 12:37
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Vídeo on demand estréia na Fórmula 1

Eu sou fã de Fórmula 1 há muito tempo. Ir ao autódromo e ver e ouvir os carros de perto, então, acho uma experiência incrível. Mas nem todos pensam como eu. Preferem o conforto do lar e uma tela de TV com boa imagem para não perder nenhum momento do que acontece na pista. De fato, além de cômodo e muito mais barato, a percepção da corrida quando se tem várias câmeras posicionadas ao longo do circuito é bastante agradável e muito mais completa do que aquela situação de quem está na arquibancada vendo só partes da pista - e contando com o radinho de pilhas para saber o que acontece do outro lado da reta oposta.

A equipe AT&T Williams resolveu dar uma mãozinha para seus convidados que estão justamente nesse dilema. O time fechou uma parceria com a canadense Kangaroo TV para fornecer, aos seus convidados, 500 aparelhos como o da foto para a transmissão ao vivo da corrida e também vídeo on demand. Funciona assim: o convidado chega ao camarote da AT&T Williams e recebe o aparelho sem fio - ele tem o tamanho e o peso semelhante àquelas máquinas processadoras de cartão de crédito, com uma tela de 3,5 polegadas. No aparelho, o usuário consegue navegar pelos botões localizados abaixo da tela e escolher para visualizar a transmissão ao vivo da corrida - gerada pela emissora oficial do GP -, estatísticas ao vivo, informações da pista e dos pilotos, além de eleger qual é o piloto favorito e acompanhar em tempo real todos os dados sobre ele. O áudio pode ser acompanhado por fones de ouvido.

Um dos grandes atrativos do aparelho é o conteúdo sob demanda que o time da AT&T Williams colocou. Para o GP do Brasil, são 13 vídeos, com duração média de 2 minutos, que o usuário poderá assistir e saber mais sobre outros circuitos, pilotos, resumo de corridas, além de detalhes sobre a equipe com imagens das áreas de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, também existe podcasts em português e em inglês para quem quiser saber mais sobre a equipe. A AT&T Williams fez um teste preliminar do aparelho com seus convidados no GP da China, mas a estréia oficial da política é o Brasil - pode parecer paradoxal esperar o fim da temporada para lançá-lo, mas a explicação oficial é que, entre o fim dessa temporada, em Interlagos neste domingo e o primeiro GP do ano que vem, em março, os executivos da equipe poderão estudar como utilizar e quais alterações farão no aparelho para a próxima temporada.

Os equipamentos e a transmissão dos vídeos são responsabilidade da Kangaroo TV - que já tem um modelo de negócios de alugar o aparelho para os expectadores de esportes como automobilismo, basquete e golf por uma taxa por período (no Brasil, o expectador que não for convidado da Williams e quiser alugar paga 230 reais por fim de semana). A empresa tem 5 antenas UHF posicionadas na pista e mais 6 colocadas em cada carro, das quais as imagens serão enviadas para os aparelhos. No caso da parceria com a Williams, o conteúdo e a personalização para os vídeos sob demanda ficaram a cargo da AT&T - e, segundo porta-vozes da empresa -, é a primeira experiência de personalização do vídeo sob demanda do gênero na Fórmula 1.

Algo interessante é que nem mesmo os mais empolgados que tentarem levá-lo para casa vão conseguir. Ao sair do autódromo, o sinal da Kangaroo TV desaparece e o aparelho torna-se inútil. A iniciativa é mais um exemplo de que o usuário está ganhando cada vez mais poder sobre o que o conteúdo que quer consumir em determinado momento. Além disso, em resumo, o aparelho é uma central de informação para quem não quer apenas contar com os olhos para saber o que se passa na pista.

Tecnologia nos boxes

O tour pelos boxes da Williams mostra que a F1 definitivamente é um dos principais usuários de tecnologia entre os esportes - se não o maior deles. Do controle de abastecimento à telemetria que disseca as informações do carro ao máximo, tudo a tecnologia está em tudo. Matt Jones, líder de marketing que acompanhou os jornalistas à visita hoje à tarde, contou algumas outras curiosidades sobre a equipe e a tecnologia empregada. Algumas delas:

* são 520 pessoas envolvidas no funcionamento da equipe AT&T Williams. Desse total, cerca de 70 estão em todos os GPs

* cada carro tem cerca de 100 sensores - 50 deles no motor - que transmitem informações às estações de trabalho dos boxes, monitoradas por quatro engenheiros da equipe e mais quatro da Toyota, que fornece o motor à equipe

* Cada carro gera cerca de 17 GB de dados por fim de semana. Todo o caminho que as informações percorrem - do carro para a telemetria e da telemetria para a equipe de pesquisa e engenharia no Reino Unido - é criptografado para evitar vazamento de dados

* 23 pessoas trabalham em cada parada nos boxes dos pilotos - leia-se, para abastecimento ou troca de pneus

* A mangueira de combustível injeta 12 litros por segundo de combustível no carro. Nos postos de gasolina comuns, esse volume é de 0,75 litro por segundo.

* Depois de um GP, a equipe leva apenas 6 horas para desmontar todos os equipamentos dos boxes

Essas foram só algumas da extensa lista de curiosidades. Para quem gosta de tecnologia e automobilismo, falar de F1 realmente rende bastante.

Por Camila Fusco
Publicado em 30/10/2008 - 21:15
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Sérgio Teixeira Jr., editor de Exame e responsável pelo Portal Exame, escreve sobre as novidades no mundo da tecnologia.

Camila Fusco é repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.

Luiza Dalmazo é repórter da editoria de Tecnologia da revista EXAME.


 
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